sexta-feira, 15 de agosto de 2008

A Carta

Escrevi uma carta, mas não te mandei. Um carta cheia de amor, de intensidade, de palavras bonitas, de sentimentos veementes. Uma carta romântica, alegre, cheia de boas lembranças, cheia de memórias, quase com uma música no fundo.

Eu dizia o quanto você era importante pra mim. Dizia o quanto gostava de compartilhar minha vida com você, o quão delicioso era ficar deitada no sofá com você, assistindo a algum filme ruim na sessão da tarde do domingo. Como era bom o seu beijo, o seu abraço, o seu cheiro, como eu - masoquistamete - adorava chorar de saudade de você.

Naquela triste carta, eu dizia como doía te dar adeus. Dizia como era doloroso ouvir à rádio e a nossa música começar a tocar. Disse como era difícil mudar de rádio, e eu acabava chorando de saudade. Eu falei que você foi meu primeiro amor, e até então, o meu único. Disse que o que eu senti por você, nunca senti por nenhuma outra pessoa.

Naquela carta eu disse que você foi o canalha mais canalha do mundo, por ter me feito sofrer, por ter me feito chorar, por arruinar noites de sono e tardes de estudo, por ferrar com meus dias de prova, com meu humor nos finais de semana. Eu disse que você era um sem consideração, um arrogante, com seu sangue frio correndo por suas veias, com seu coração de pedra que mal pulsava.

Eu disse que eu fui mais idiota ainda. Idiota por ter te conhecido, por ter me apaixonado, por ter te desejado, te amado, te querido tanto. Disse que eu me senti uma estúpida por rastejar tanto por você, por ter corrido tanto atrás de você quando você não me queria mais. Eu disse que nunca mais queria te ver, nem ouvir a sua voz, nem uma mísera foto de nós dois juntos.

E foi por isso que eu não mandei aquela carta. Porque no fundo, bem no fundo do meu coração, não quero que você saia da minha vida, que suma da minha frente, que suas fotos desapareçam do meu HD e que as suas cartas se inflamem. No fundo, eu ainda nos vejo juntos, vejo uma vida feliz, romântica, harmoniosa. Vejo você e eu na eternidade, trocando carinhos e muito amor.

Por isso não te mandei essa carta. Porque eu te amo, mas não quero que você saiba. Me dói te amar assim e ainda não ser a nossa hora de ficar juntos. Me dói esperar o quanto for preciso para que aí sim possamos ser felizes...
Eu te amo, sim. Te amo como sempre amei, como sempre vou amar.

3 comentários:

Thaís Petit disse...

"No fundo, eu ainda nos vejo juntos, vejo uma vida feliz, romântica, harmoniosa. Vejo você e eu na eternidade, trocando carinhos e muito amor.

Por isso não te mandei essa carta. Porque eu te amo, mas não quero que você saiba. Me dói te amar assim e ainda não ser a nossa hora de ficar juntos. Me dói esperar o quanto for preciso para que aí sim possamos ser felizes...
Eu te amo, sim. Te amo como sempre amei, como sempre vou amar. "

Juro que o que você escreveu eu mandaria fácil pra alguém, quase chorei lendo.

Belíssimo.

É a Thaisínha da Paixões com login diferente.

Will Pauley disse...

Talvez o "problema" esteja na dualidade, não é? Lá sobre o tempo, aqui sobre as pessoas, sobre sentimentos... são tantos caminhos, muitas vezes opostos, nos perdemos quase como em 'encruzilhadas'.

O que eu sei é que você escreveu algo beleza triste, profunda, como não podia deixar de ser. Se eu pudesse citar por cima uma característica da Helena, desde já, eu diria essa "intensidade". É notável pra qualquer um. Ou ao menos deveria ser.

Eu não vou torcer pra você continuar esperando-o, ou pra que algo diferente aconteça em sua vida. Apenas vou pedir pra que continue assim, que seja essa "você", alegre ou triste - de preferência alegre - porque há uma magia nessa que conheci. E essa personalidade ainda há de encantar muita gente, por muito, muito tempo.

(E vou parando pra não ficar maior que seu post, não quero bancar o robert uhauhauha! =x)

Um beijo Lê.

Will Pauley disse...

Errata:
"O que eu sei é que você escreveu algo com uma beleza triste"

Puxa, parece que nunca acerto 100% um comentário por aqui, mas ok rss! ^^"